domingo, junho 19, 2011

Rosa


Linda rosa pomposa
O que fizeram com tuas pétalas
Teu aroma, tua cor, tua vida?
Não entendo o teu lamento
Tuas lágrimas
Por que choras assim?
As raposinhas te enganaram?
Ou foram as formigas que te sugaram?
Me diz... E para de chorar assim!!
Tuas pétalas desmancharam
Tua beleza se escondeu
No jardim, tu que eras rainha.
Tornastes tão submissa, tão maltrapilha.
Tuas pétalas serão eternas
Tuas raízes serão espessas
E minhas mãos, sempre, aqui estarão.
És as sombras de minha razão
Tu provocas inspiração
Perfume eterno
Enlouqueces minhas manhãs, quando desperto.

Morgana Medeiros

Aleatoriamente


Sorrisos são dados
Presentes são entregues
Abraços trocados
Silêncios compartilhados
E, sempre, aleatoriamente.

O aleatório mais bem articulado que se pode existir
Que se fundem e se complementam
É o existir mais arbitrário que se pode ter
É aquilo que não se pode controlar
Nem falar, nem explicar.

Regras têm suas exceções
Amores têm seus fins
Amizades se esfriam
Corações se partem
Promessas são esquecidas
Sonhos se afogam em copos de cachaça.

A vida se mostra ávida e feroz
As linhas inconsistentes se rompem
Desejos superestimados apodrecem
Segredos exigidos se esquecem
E assim a vida se segue... Meio amargo, meio doce.
Aleatoriamente.

quinta-feira, junho 09, 2011

Ao vento


No ar
Tudo vai pra o ar
É responsabilidade do vento
Arrastar tudo por um único caminho: o esquecimento

E vai ao vento
Ao léu
Momentos, palavras, promessas...
Sonhos, planos...

Mas tua função, você faz tão bem.
Leva embora, com tanto desdém
E me diz...
“Faço assim, porque convém!”

Pra onde levas os sentimentos reprimidos?
Onde tu escondes aquele, mais chegado, amigo?
Qual o esconderijo daquele amor?
Para onde levastes o calor, o ardor?

Nem precisa me responder.
O que eu quero mesmo de você.
É que leve embora essa dor aqui,
Que me atormenta todos os dias, antes de dormir.
Morgana Medeiros



sábado, maio 28, 2011

Minha poesia


Espremendo a alma
Que insiste em calar
Encontrei rimas escondidas
Palavras reprimidadas - minha poesia.

Aproximei-me e interroguei-a,com amor
O que foi que assim te deixou?
A poesia com um olhar tristonho
E uma lágrima no canto do olho
Fitou-me...e disse-me
Você que esqueceu de mim
Eu aqui tentando me mostrar pra ti
E você me trata assim, não empresta teus ouvidos para me ouvir
Não permite tuas mãos serem guiadas por mim

Eu, pobre poeta
Com os olhos perplexos e inundado em lágrimas
Peguei-a em meus braços
E carinho lhe fiz.

Minha poesia é tão carente
Possue uma alma tão quente
E uma narração de arrebatar o coração.
Minha linda, perdoe minha distração!

É que sou assim
Poeta feito, sei não!
Mas voltei pra reconsiderar sua convocação
E me entregar a ti em devoção!

Morgana Medeiros

segunda-feira, maio 16, 2011

Só a viola


Se o rio transbordou
E a lágrima rolou
Pega a viola e toca

Se aquele grande amor
Já findou
Pega a viola e toca

Se de tanto sonho
Pouco se realizou
Pega a viola e toca

Nessas horas
Só a viola
Realmente toca.

Morgana Medeiros

segunda-feira, maio 09, 2011

Doce Insulto



Fazer poesia ouvindo música

É se render a força bruta

O que se ouve

Se reflete


É o bruto mais belo e doce que existe

Mais sentimental que se pode criar

Ter, inventar, reinventar

Não copio nada, apenas recrio, construo.


Mas só quero o brilhantismo de Chico

E a poesia abusada de Caetano

Quero a sensibilidade de Quintana

E a sutileza de Espanca


Do pouco que sei, quero multiplicar (dividindo)

Quero um leque ser

E de tudo, um pouco, conhecer

O conhecer gera um filho chamado conhecimento


E esse filho gerado

Gera mais conhecimento (mais do que a geração de um coelho!)

E não me vem com essa

De que “não entendo”.


Amo desafios

A eles amo aliar-se

O desequilíbrio gera conflito

E dá forma a um novo complexo, um pouco, mais completo


Aquele que soma com você é o que, de fato, importa

Completar?! Ninguém me completa!

Sou, em mim mesma, plena

Plena de mim, do que acredito, de meus conflitos


Falo, sem pretensão

Tenho aprendido com Narciso

Que por a amor a si

Se entregou, mergulhou em seu próprio mistério


Mistério egoísta!

Mas o que é pior (ou menos ruim)

Ser egoísta ao extremo?

Ou ter compaixão exacerbada?


Perdoe-me a indelicadeza ou até frieza (como queira!)

Mas bom mesmo

É o meio termo

É o equilíbrio, é ser um amante que se ama


Se ama, se protege

Se admira, se impõe

Que é seu fã número, principal!

Que feito Narciso, faz do espelho mais que um reflexo


Faz do espelho sua meta

Seu alvo

Nada amargo

E não como um fardo


Minhas pobres rimas,

Me dizem coisas tão profundas

Tão profundo pra mim

Mas tão raso pra’queles ali.


Ah, tira essa cara de desgosto

Minha poesia, aos teus olhos, parecem escrotos?!

Pois esses escrotos

Me são como ouro.Meu tesouro.


Mas já disseram

“Que o lixo do rico

É a riqueza dos pobres!”

Pobres?! São tão ricos!


Riqueza que o capitalismo abole

E que os nossos valores (podres, pobres)

Ignora, faz passar despercebido

E aquele abraço amigo... É tão rico!(sem custo monetário algum!)


Viva os pobres, que são tão ricos!

Viva aqueles que, com força, trapaceiam seus “destinos”!

Viva as “senhoras Elair” da vida!

E aquele “seu menino”, que sente saudades de seu nome ouvir! (Afinal, como é mesmo o seu nome?!)


Pobres desses ricos fingidos

Que posam de mocinhos

Mas são tão mesquinhos

São tão sozinhos, tão vazios.


Não desmereço o capital

Só não aceito qualquer aval

Nem quero ser igual

Àqueles que não entendem o valor do que é tão natural.

Morgana Medeiros

sexta-feira, maio 06, 2011

Inquietação


Ele é tão criativo

Ora, fala ao povo escrevendo no chão

Ora, em silêncio faz uma revolução no coração

Em outras, foi com o chicote na mão


Mas aí vem esses homens aí

Abrindo a bíblia e dizendo

Assim diz o Senhor

De uma forma tão clichê


Recuso-me a acreditar

Que, meu Jesus, tão inteligente e criativo

Fale pela boca de certas pessoas

Tão vazias, tão ortodoxas e preconceituosas.


Ele fala comigo

Ao ouvir uma criança chorar

Com aquele Frei que ajuda os esquecidos a uma nova canção cantar

E aquele meu amigo, que a igreja o intitula “perdido”


Ah, Jesus!

Ensina-os o teu amor

Ensina-nos o teu perdão

E o estender a mão


Dê-lhes a decência de dizer “sei não”

E faze-os afastar-se do julgar

E a encolher a mão para não apontar

Ensine-os à tua versão


Que suas interpretações sejam sem subversões

Mas essas interpretações sejam genuínas

Tiradas aos teus pés

Ouvindo a canção do Teu coração


Dê-me Teu olhar, Senhor

E a interpretação exata de tuas palavras

E faz-me ouvir e entender, sem subverter

O que está em teu coração.


Ouve esse humilde desejo de meu coração

Escuta meu grito

E dá-me a tua genuína vida

Fazendo-me ouvir a tua voz legítima.


Morgana Medeiros